segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Por favor, me deixe ir / Não vou lhe esquecer. Prometo.

CALABOUÇO

Por favor, me deixe ir
Não me prendas, não me sufoque
Há muito me acompanhas
Dez, quinze anos
Já nem sei mais

Já me disseram de seu poder letal
Então, por quê não faze-lo de uma só vez?
Por que me matas aos poucos?

Afinal, o que queres de mim?
Meu sangue, meu corpo?
Minha vida?

Minha infância, já levou
Minha adolescência também
Queres também minha juventude?
Minha maturidade?
A terceira idade?

Ainda não me dei por vencida
Resta um fio de esperança
Uma chama acesa
Por favor, não a apague

Por favor, me deixe ir
Não vou lhe esquecer. Prometo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Para os marmanjos que pensam que meninas só pensam em casamento...

... como se realização profissional, acadêmica, material, espiritual e - principalmente - liberdade não fossem importante!!

www.youtube.com/watch?v=MhVAszN8UGI

sábado, 2 de outubro de 2010

E ainda, após alguns dias, penso no moço do barraquinho... E naquelas moças bem vestidas e naqueles rapazes com copos de whisky importado nas mãos...

Há alguns dias, no trabalho, me ocorreu uma situação não muito confortável. Bom, vamos nos fazer entender: trabalho em uma empresa administrada pelo governo federal e minha função é de fiscalização agropecuária. Explicadas as circunstâncias, vamos aos fatos.

Eu estava redigindo um documento e, de repente, o chefe do departamento ao qual sou subordinada adentrou a sala onde eu estava, afobado, com o celular em punho, ligando para o chefe de seção, para a segurança, para o coronel, para a polícia... Segundo ele, as terras da empresa haviam sido invadidas (há uma área enorme completamente inutilizada) e me foi pedido então que o levasse, junto com meu chefe direto e mais um funcionário do departamento, até o local onde ocorrera a invasão. Diante das providências tomadas, até tive um certo receio, mas fui até lá.

Chegando ao local, fiquei surpresa: era apenas um barraquinho, feito com restos de madeira e de aproximadamente três metros quadrados. E lá dentro havia um homem, aparentando ter por volta de trinta anos, sujo e maltrapilho. Em sua companhia, alguns móveis, um colchão e aparelhos eletrônicos, todos muito velhos, pareciam terem sido retirados do lixo.

Ele explicara que, na manhã daquele dia, havia construído o barraquinho à margem da rodovia, mas o órgão responsável pela fiscalização pediu que ele dali se retirasse, devido ao alto índice de acidentes. E ele assim o fez, desmontou o barraquinho e o construiu novamente, só que desta vez dentro da cerca, invadindo então as terras da empresa. Eu o vi de longe, mas o homem não aparentava estar embriagado ou sob efeito de entorpecentes. Era um morador de rua, que encontrara naquele local uma possibilidade de se estabelecer.

Neste mesmo dia, fui com meus companheiros de banda em um evento destinado à músicos. Este evento foi realizado por uma emissora de rádio e aconteceu em uma unidade de uma badalada rede de bares, estabelecida em várias partes do mundo. Lá estavam diversas personalidades da cena independente, artistas, músicos, homens e mulheres belíssimos. O ambiente também era muito bonito, com um bela vista para a cidade, pratos elaborados e drinks sofisticados, garçons e garçonetes estilosos e cheios de ginga, e houve também um show de uma banda com projeção nacional.

De fato, a noite fora muito agradável. Mas, em um determinado momento, ao olhar todas aquelas pessoas, rindo, conversando, se divertindo, me peguei a pensar: o que será que aconteceu ao moço do barraquinho? Será que está abrigado, alimentado, protegido do frio? Quando ainda no trabalho, ao fim do expediente, meu chefe ordenou que conferíssemos se ele havia se retirado do local; fui até lá, o barraquinho já estava desmontado, mas não vi que rumo ele tomou...

E ainda, após alguns dias, penso no moço do barraquinho... E naquelas moças bem vestidas e naqueles rapazes com copos de whisky importado nas mãos...


* A análise sociológica fica por conta de cada um!

domingo, 26 de setembro de 2010

"Dificilmente se arranca a lembrança..."

CRUA
Otto

Há sempre um lado que pese
Outro lado que flutua tua pele
É crua
É crua

Dificilmente se arranca a lembrança
A lembrança
Por isso na primeira vez dói
Por isso não se esqueça, dói

E ter que acreditar num caso sério
E na melancolia que dizia
Mas naquela noite que eu chamei você
Fodia, fodia
Mas naquela noite que eu chamei você

Fodia, fodia de noite e de dia

sábado, 21 de agosto de 2010

Sujeito de direito e identidade no ambiente virtual: questão para a lógica e para a ontologia jurídicas

Maria Francisca Carneiro, inicia sua discussão sobre direito e identidade no ambiente virtual comentando sobre a questão da intimidade e identidade do sujeito, pautando-se na personalidade e na dignidade humanas.A autora explica que: mesmo que a intimidade tenha sido calcada em bases filosóficas burguesas, ela foi regulamentada a partir da Constituição Portuguesa de 1976, relacionando a intimidade à identidade pessoal e à capacidade civil. Coloca ainda que é difícil estabelecer os limites de onde começa a vida pública e termina a vida privada, ainda mais quando se está em discussão o ambiente virtual, no qual ocorre o Ciberdireito.
O ambiente virtual caracteriza-se digamos, por uma relativa balburdia quando falamos de sujeito ou sujeitos, pois vários sujeitos ocupam vários espaços ou nenhum espaço. Passamos então a falar sobre um sujeito de direitos virtual. Estamos diante de possibilidades de reinterpretação do conceito de sujeito de direitos e alógica pode nos oferecer novas constatações.
Após essas reflexões, a autora passa a refletir sobre o que seria o direito virtual e o direito real. “Ao mesmo tempo que se consolida a tutela jurídica da intimidade, a internet devassa-a”. O principal problema a ser discutido pelo Ciberdireito é a questão da identidade (nome) no ambiente virtual. Como saber o nome de quem freqüenta a internet e como resguardar o nome do sujeito quando preciso. O nome é um direito, mas também um dever, pois o anonimato é proibido. Já os pseudônimos são legalmente admissíveis quando condicionados às possibilidades de identificação do autor.
Enfim, segundo Carneiro, poderíamos pensar o cibersujeito no contexto de uma possível democracia virtual. E citando Montesquieu, distingue liberdade filosófica e política; “a democracia virtual, para ser democracia deve prevalecer os interesses sociais sobre os individuais”. O cibersujeito continua sendo um e ele mesmo, o que acontece é a ampliação do conceito de sujeito e da sua identidade.
A autora explica que o paradigma da identidade (subjetividade) está no inconsciente do sujeito e sua via de acesso é a psicanálise. Citando Félix Guatarri, Carneiro conclui que cada indivíduo ou grupo social veicula seu próprio modelo de subjetividade. Finalizando, ela questiona o porque da não proximidade entre as novas lógicas e as novas ontologias?
Marlon Nunes

Este e outros textos em http://www.geopoemas.blogspot.com/

sábado, 12 de junho de 2010

Pra você guardei o amor...


Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Nando Reis

sábado, 5 de junho de 2010

Batismo de Sangue


Bem, aqui estou eu em mais uma tarde de sábado no trabalho. E desta vez, num marasmo além do habitual (acho que as baixas temperaturas espantaram as pessoas, para a minha alegria). Já li, assisti parte de um filme, redigi um texto para a faculdade, bati papo do Google Talk e até comi umas frutas deliciosas que comprei por aqui. E então, esgotadas minhas possibilidades, tive uma ousada idéia: "vou escrever sobre cinema"! Não sou grande expectadora de filmes pois sempre durmo nos primeiros 40 minutos...rs Mas resolvi escrever sobre este filme, por razões peculiares.
"Batismo de Sangue", baseado no livro homônimo de Frei Beto, conta a luta de frades dominicanos contra o regime militar, no final da década de 60, ao lado de Carlos Marighella e a Ação Libertadora Nacional. Com direção Helvécio Ratton, o filme retrata ricamente o momento marcante vivido pelos religiosos, dando vazão principalmente aos personagens Frei Betto e Frei Tito. Criticado por uns por ser "pesado" demais, aclamado por outros, principalmente por aqueles que viveram na pele os tormentos daquela época, "Batismo de Sangue" é um importante elemento do conjunto de filmes que retratam a história recente de nosso país: vale a pena conferir!
E quanto as razões peculiares, são duas: primeiro, porque sou grande admiradora de Frei Betto. Tive o primeiro contato com seus textos quando tinha por volta de 15 anos, e esta foi uma grande colaboração para meu desenvolvimento crítico. Tive também a grande oportunidade conhece-lo em uma de suas explanações que assisti; até tiramos algumas fotografias, que foram embora com o furto de meu celular. E o segundo é que, meu querido e amado companheiro, Marlon Nunes, fez uma pequena participação no longa: foi um dos presos políticos no momento em que os Freis realizam uma missa na cadeia, sendo o último a receber a óstia das mãos de Frei Tito, interpretado por Caio Blat (a cena é esta da foto!).
E já que estamos falando de Marlon e cinema, ele será curador da 1ª Mostra de Curtas de Contagem/MG que acontecerá no mês de agosto e tenho certeza de que fará um belíssimo trabalho! ;)



domingo, 23 de maio de 2010

Celebração

Hoje é dia de celebrar
Todos os acordes
Todos os abraços, embaraços
Aconchegar

Hoje é dia de celebrar
Celebrar a vida que à minha trouxe cor
Que veio fazer parte
Completar

Hoje é dia de celebrar
Celebrar a vida
Celebrar a Sua vida
Comemorar

Hoje é dia de celebrar
Vida que antes mesmo da minha foi criada
Para ser feliz
Amar!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Portoinglês

A cabeleireira virou hairstylist
Máscara facial agora é pelling
A maquiagem virou make
E se optar pelo brilho labial, peça pelo gloss!

A calça preta virou black jeans
A blusinha colada virou top
Se o cano é curto, é unkle
boot
E se não sabe o que vestir, consulte um personal stylist
Mas se precisar emagrecer, é melhor um personal treinner!


O frango empanado agora é chicken
O sanduíche, há muito virou
hamburguer
Que pode vir acompanhado de um
drink
Ou talvez seja melhor um milk-shake?


O parquinho virou playground
A cervejinha no fim da tarde, happy our
E se é bom, é
cool
Mas se é ruim, aí é trash!!!

A liquidação virou outlet
Video K7 agora é home theather
Se a música é nova, então é o novo single
E se fizer sucesso, tem que ter show!


Só temo pelo berimbau
O maracatú e o frevo
O acarajé e a tapioca
Que ainda não mudaram de nome,
Não aderiram ao Portoinglês...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

"Viver é ser na multidão sozinho..."

De Cada Lado
Pedro Morais

O mundo é resultado dos contrários
Da força dos leões e dos otários
Da selva de monistas e sectários
Das pedras no caminho

O mundo é uma flor e é o espinho
Viver é ser na multidão sozinho
Um passo para frente é outro abandonado
No mundo, uma ilusão de cada lado

Casa de ferreiro, espeto de pau
Casa de misericórdia, miséria total
Casa de candango, candombe e cal
Casa de abstinência, folia brutal

Deixa nossa porta aberta

Deixa de brincar de fé
Se vai jogar o jogo
Deixa de bater o pé
Se é pra fazer de novo
Deixa de como é que é
Se tudo é perigoso
Logo vem o que vier

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Transformaremos

Existem crianças com fome
Sem onde viver
Sem onde encontrar
Um amor em seu lar

Existem famílias desunidas
Assim como existem pessoas desumanas
Ricos se enlouquecem para emagrecer
Enquanto pobres sofrem para se alimentar

De um lado uma noite ilustrada de alegrias
Do outro a melancolia
Mas acreditamos
Que um dia tudo se transformará
E todos formaremos uma humanidade repleta de igualdades

Este poema foi escrito por Amanda, minha irmã mais nova, quando tinha 13 anos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Aflição

Vou escrever
Sobre o que me aflige
E, se acaso leres
Saiba que
Entenderás meu coração
E também o que suplico
E talvez o que escondo
Por medo
Por cautela
Por inércia
E, se sentir-se capaz
Não se acanhe
Chegue
Aconchegue
Talvez assim
O que me aflige se tornará ardor
E aí então
Escreverei sobre o que me aquece
.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

APAC e Projeto Novos Rumos na Execução Penal

Lançado em dezembro de 2001 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o Projeto Novos Rumos na Execução Penal tem o objetivo de expandir o chamado “Método APAC” (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), buscando a humanização do sistema prisional. O sistema APAC trabalha a recuperação do condenado e sua inserção no convívio social, sem perder de vista a finalidade punitiva da pena.
A pena privativa de liberdade procura alcançar três objetivos: retribuição pelo delito praticado, a prevenção do crime e a ressocialização do indivíduo que comete ato criminoso. Entretanto, é sabido que esses objetivos não são alcançados no sistema carcerário convencional. Sua dinâmica em nada contribui para a recuperação e reintegração do preso à sociedade, o que é perceptível no grande número de reincidências em crimes ainda mais violentos. Baseado no princípio da dignidade da pessoa humana e na idéia de que nenhum ser humano é irrecuperável, o método APAC visa a recuperação do preso dando a ele condições de se reintegrar no seio familiar e na dinâmica social como um todo.
No Método APAC, a profissionalização e a espiritualidade são peças chave. Trabalha-se a humanização do sujeito privado da liberdade (aqui, chamado de “recuperando”), bem como sua capacitação para o mercado. Valores como amor a si e ao próximo, ajuda mútua, a importância da família e da comunidade são ressaltados de forma incisiva. O trabalho é aplicado de acordo com a finalidade proposta a cada regime: o fechado é o tempo para a recuperação, o semi-aberto para a profissionalização e o aberto para a reintegração social. Os recuperandos desenvolvem atividades de acordo com a fase em que se encontram, e fazem também cursos profissionalizantes.
Dentro da unidade, os recuperandos recebem assistência médica, odontológica, jurídica e psicológica. São realizados também eventos como encontro de casais, cultos religiosos, momentos de reflexão.
Os baixos índices de reincidência (15%, contra 85% apurado no sistema convencional) comprovam que o Método APAC atinge de forma satisfatória a finalidade proposta pela pena privativa de liberdade. O tratamento digno oferecido aos recuperandos permite que estes possam reintegrar-se à sociedade de maneira efetiva e segura, de modo a minimizar a possibilidade de reincidência.
Coordenado pelo desembargador do TJMG Joaquim Alves de Andrade, o Projeto Novos Rumos na Execução Penal, através de audiências públicas nas comarcas, de produção de material informativo para as APAC’s e comunidade, bem como da capacitação de dirigentes, voluntários e recuperandos em parceria com a Fraternidade Brasileira de Assistencia aos Condenados – FBAC – visa a propagação do método, que hoje é referência não só no Brasil, mas também no estrangeiro.
A importância do projeto foi reconhecida em 2005 pelo “II Prêmio Inovare: O Judiciário no Século XXI”, que é uma iniciativa conjunta do Ministério da Justiça, da Associação dos Magistrados Brasileiros, da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, da Companhia Vale do Rio Doce e da Fundação Getúlio Vargas, que visa a divulgação e sistematização de práticas inéditas e bem sucedidas de gestão do Poder Judiciário. O prêmio foi recebido em Brasília pelo membro da equipe do projeto e juiz da comarca de Itaúna (primeira cidade mineira a adotar o método APAC, unidade que tive oportunidade de conhecer) Paulo Antônio de Carvalho.
O Projeto Novos Rumos na Execução Penal é coordenado pela Assessoria da Presidência para Assuntos Penitenciários e de Execução Penal no estado de Minas Gerais e foi regulamentado pela Resolução nº 433/2004 do TJMG, publicado no “Minas Gerais” do dia 1º de maio de 2004. Possui 81 comarcas envolvidas, que englobam 275 municípios.
Diante dos resultados obtidos pelo Método APAC, é possível reconhecer a importância de sua disseminação, ação proposta pelo Projeto Novos Rumos na Execução Penal. Os indivíduos que praticam delitos precisam ser responsabilizados pelos atos que cometeram, mas é importante ressaltar que estes, após a segregação social ocasionada pela pena privativa de liberdade, estarão de volta à sociedade e a recuperação é fundamental para que sua reintegração se dê de forma satisfatória.

sábado, 7 de novembro de 2009

"Você precisa saber o que passa aqui dentro, eu vou falar pra você!"

Nos últimos meses, fui acometida pela falta de tempo, ou talvez de organização dele, e há muito não apareço por aqui. Mas agora pretendo retomar as atividades, dando vazão a novas idéias.
Quando criei este blog, minha intenção era falar sobre assuntos alheios à minha vida pessoal e profissional, sem cunho político (no sentido estrito da palavra) ou ideológico, até mesmo para que me servisse como válvula de escape. Mas as idéias que borbulham em minha cabeça acabaram me fazendo mudar de idéia, então, resolvi ampliar o foco. Sou formada em téc. em agropecuária e exerço a profissão em uma empresa pública, sou estudante de direito e ataco de musicista nas horas vagas. Então, resolvi também incluir meus pensamentos sobre direito, agropecuária, e música (profissionalmente falando). Sem deixar, é claro de continuar a falar sobre livros, discos, poesias, lugares e bobagens, que tornam a vida mais colorida e feliz!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

De volta!

Após mais de 30 dias sem postagens (hoje é dia 15, e não 7 como está datado acima), estamos de volta! Durante esse tempo, conheci muitas pessoas, lugares, livros, discos, sabores novos e interessantes, que estão me fazendo, de certa forma, enxergar o mundo e suas peculiaridades de forma mais branda, leve. E é com esta leveza que pretendo dar continuidade às atividades deste blog!
Começo falando do livro maravilhoso que me foi doado por meu querido primo Fernando, que inclusive tem seu blog "Meu código de acesso" incluso em meu perfil. Estive na casa dele e, dentre sua coleção de cd's, discos e diversas outras coisas interessantes, encontrei numa estante livros que versam sobre música, dentre eles, "História Sexual da MPB", do jornalista Rodrigo Faour. Comecei a folheá-lo e logo de cara me apaixonei, é fantástico! De forma descontraída e bem humorada, o que não prejudica a bela pesquisa feita em volta do tema, Faour delineia a tragetória do sexo na música brasileira: quebra de tabus, a libertação sexual da mulher, do homessexual, o sexo nas camadas sociais, seguindo a evolução histórica nas composições tupiniquins. Além do texto primoroso, a obra traz também pin-ups de capas de discos dos anos 50 e 60 cronologicamente organizadas, o que permite uma percepção de como o sexo, mesmo que de forma sutil, sempre esteve presente na MPB.
Para quem gosta de história e música como eu, uma ótima pedida!! E como diria Luiz Melodia, "peça meu livro, querendo, te empresto!"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"E não me falta o passo, coração... Avante!"

Horizonte Distante
Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo

Por onde vou guiar
O olhar que não enxerga mais
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Nesse momento menor
Pr'eu saber seu redor

A gente quer ver
Horizonte distante
A gente quer ver
Horizonte distante

Aprumar

Através eu vi
Só o amor é luz
E há de estar daqui
Até alto e amanhã
Quem fica com o tempo
Eu faço dele meu
E não me falta o passo, coração
E não em falta o passo, coração

Avante

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ah, o amor...

“Talvez convenha, em atenção à clareza, mencionar alguns exemplos da maneira como a sociologia olha além das fachadas das estruturas sociais. (...) Mais um exemplo. Supõe-se geralmente nos países ocidentais (e sobretudo nos Estados unidos) que homens e mulheres se casem porque estejam apaixonados. Segundo uma arraigada mitologia popular, o amor é uma emoção de caráter violento e irresistível que ataca ao acaso, um mistério que constitui a meta da maioria dos jovens e muitas vezes de pessoas já não tão jovens. Entretanto, assim que se começa a investigar um número representativo de casamentos, percebe-se que a flecha do Cupido parece ser teleguiada com bastante segurança para canais bem definidos de classe, renda, educação e antecedentes faciais e religiosos. Investigando-se um pouco mais do comportamento dos casais antes do casamento, encontra-se mais canais de interação que com freqüência são bastante rígidos para merecer o nome de ritual. O investigador começa a suspeitar que, na maioria dos casos, não é tanto a emoção do amor que cria certo tipo de relação, mas justamente o contrário: relações cuidadosamente pré-definidas, e muitas vezes planejadas, por fim geram a emoção desejada. Em outras palavras, quando certas condições são satisfeitas, natural ou artificialmente, uma pessoa permite-se “apaixonar-se”. O sociólogo que investigar nossos padrões de “corte” (eufemismo tendencioso) e casamento logo descobrirá uma complexa trama de motivações multifariamente relacionada a toda a estrutura institucional dentro da qual vive um individuo – classe, carreira, ambição econômica, aspirações de poder e prestígio. O milagre do amor parece então um pouco sintético. De mesma forma, isto não significa necessariamente que o sociólogo afirme que a interpretação romântica seja uma ilusão. Entretanto, também neste caso ele lançará os olhos além das interpretações imediatas e aprovadas. Ao contemplar um casal que, por sua vez, contempla a lua, não há porque o sociólogo se sinta na obrigação de negar o impacto emocional da cena. Entretanto, levará em consideração a máquina que participou da construção da cena em seus aspectos não lunares: o símbolo de status que abriga os namorados (o automóvel), os cânones de gosto e tática que determinam o costume, as muitas formas como a linguagem e a conduta situam socialmente os protagonistas, definindo assim a localização social e a intencionalidade de toda aquela atividade.”
Peter Berger

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Well, well, well..."

Não sei explicar por que razão, mas nos últimos dias a maternidade está tomando conta de meus pensamentos. Tudo bem, estou em período de ovulação, talvez isso influencie. Mas as crianças, as grávidas, nunca me pareceram tão lindas como agora! E parece que o mundo a minha volta está colorido, inocente, sorrindo... Estar grávida, gerar um ser humano, é realmente uma dádiva de Deus. Ser mãe é ter disprendimento, amar incondicionalmente. E, enquanto não chega a minha vez, vou ouvindo duas lindas canções, de mães para filhos: "Mamã Papá", que Fernanda Takai compôs em meio aos brinquedos de sua filha Nina quando estava grávida e "Oito anos", composta por Paula Toller para seu filho Gabriel, que foi lindíssimamente interpretada por Adriana Calcanhotto em seu disco "Adriana Partimpim".

MAMÃ PAPÁ
Pato Fu
Composição: Rubinho Troll / John Ulhoa / Fernanda Takai


Conte sua história
Pois sua memória
Pode um dia se apagar
Não faça segredo
Não, não tenha medo
Estou aqui pra te escutar

Mamã Papá

Quem já tem neném
Sabe muito bem
Tem história pra contar
Ele já cresceu
Mas nunca se esqueceu do amor
Que havia em seu olhar

Mamã Papá

Quando seu corpinho se mexe na barriga
É só um toquinho
Mas transforma sua vida


OITO ANOS
Adriana Calcanhotto
Composição: Dunga / Paula Toller

Por que você é flamengo

E meu pai botafogo?
O que significa"impávido colosso"?
Por que os ossos doem
Enquanto a gente dorme?
Por que os dentes caem?
Por onde os filhos saem?
Por que os dedos murcham
Quando estou no banho?
Por que as ruas enchem
Quando está chovendo?
Quanto é mil trilhões
Vezes infinito?
Quem é Jesus Cristo?
Onde estão meus primos?

Well, well, well
Gabriel...
Well, Well, Well, Well...

Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?
Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Re...vèi...llon

Well, Well, Well
Gabriel...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Homem Perfeito

por Arnaldo Jabor
"Não existe homem fiel. Você já pode ter ouvido isso algumas vezes, mas afirmo com propriedade. Não é desabafo. É palavra de homem que conhece muitos homens e que conhecem, por sua vez, muitos homens. Nenhum homem é fiel, mas pode estar fiel (ou porque está apaixonado - algo que não dura muito tempo, no máximo alguns meses, nem se iluda) ou porque está cercado por todos os lados (veremos adiante que não adianta cercá-lo, isso vai se voltar contra você). A única exceção é o crente extremamente convicto. Se você quer um homem que seja fiel, procure um crente daqueles bitolados, mas agüente as outras conseqüências.
Não desanime. O homem é capaz de te trair e de te amar ao mesmo tempo. A traição do homem é hormonal, efêmera, para satisfazer a lascívia. Não é como a da mulher. Mulher tem que admirar para trair; ter algum envolvimento. O homem só precisa de uma banda. A mulher precisa de um motivo para trair, o homem precisa de uma mulher.
Não fique desencantada com a vida por isso. A traição tem seu lado positivo. Até digo, é um mal necessário. O cara que fica cercado, sem trair, é infeliz no casamento, seu desempenho sexual diminui (isso mesmo, o desempenho com a esposa diminui), ele fica mal da cabeça. Entenda de uma vez por todas: homens e mulheres são diferentes. Se quiser alguém que pense como você, vire lésbica (várias já fizeram isso e deu certo), ou case com um gay enrustido que precisa de uma mulher para se enquadrar no modelo social. Todo ser humano busca a felicidade, a realização. E a realização nada mais é do que a sensação de prazer (isso é química, está tudo no cérebro).
A mulher se realiza satisfazendo o desejo maternal, com a segurança de ter uma família estruturada e saudável, com um bom homem ao lado que a proteja e lhe dê carinho. O homem é mais voltado para a profissão e para a realização pessoal e a realização pessoal dele vêm de diversas formas: pode vir com o sentimento de paternidade, com uma família estruturada etc. Mas nunca vai vir se não puder ter acesso a outras fêmeas e se não puder ter relativo sucesso na profissão.
Se você cercar seu homem (tipo, mulher que é sócia do marido na empresa), o cara não dá um passo no dia-a-dia (sem ela) você vai sufocá-lo de tal forma que ele pode até não ter espaço para lhe trair, mas ou seu casamento vai durar pouco, ele vai ser gordo (vai buscar a fuga na comida) e vai ser pobre (por que não vai ter a cabeça tranqüila para se desenvolver profissionalmente, vai ser um cara sem ambição e sem futuro).
Não tente mudar para seu homem ser fiel. Não adianta. Silicone, curso de dança sensual, se vestir de enfermeira etc... Nada disso vai adiantar. É lógico que quanto mais largada você for, menor a vontade do homem de ficar com você e maior as chances do divórcio. Se perfeição adiantasse, Julia Roberts não tinha casado três vezes. Até Gisele Bündchen foi largada por Di Caprio. Não é você que vai ser diferente (mas é bom não desanimar e sempre dar aquela malhadinha).
O segredo é dar espaço para o homem viajar nos seus desejos (na maioria das vezes, quando ele não está sufocado pela mulher, ele nem chega a trair, fica só nas paqueras, troca de olhares. Finja que não sabe que ele dá umas pegadas por fora. Isso é o segredo para um bom casamento. Deixe ele se distrair, todos precisam de lazer.
Se você busca o homem perfeito, pode continuar vendo novela das seis. Eles não existem nesse conceito que você imagina. Os homens perfeitos de hoje são aqueles bem desenvolvidos profissionalmente, que traem esporadicamente (uma vez a cada dois meses, por exemplo), mas que respeitam a mulher, ou seja, não gastam o dinheiro da família com amantes, não constituem outra família, não traem muitas vezes, não mantêm relações várias vezes com a mesma mulher (para não criar vínculos) e, sobretudo, são muuuuuito discretos: não deixam a esposa e nem ninguém da sua relação, como amigas, familiares saberem.
Só, e somente só, um amigo ou outro dele deve saber, faz parte do prazer do homem contar vantagem sexual. Pegar e não falar para os amigos é pior do que não pegar. As traições do homem perfeito geralmente são numa escapolida numa boite, ou com uma garota de programa (usando camisinha e sem fazer sexo oral nela), ou mesmo com uma mulher casada de passagem por sua cidade. O homem perfeito nunca trai com mulheres solteiras. Elas são causadoras de problemas. Isso remete ao próximo tópico.
Esse tópico não é para as esposas, é só para as solteiras e amantes.
Esqueçam de uma vez por todas esse negócio de que homem não gosta de mulher fácil. Homem adora mulher fácil. Se 'der' de prima então, é o máximo. Todo homem sabe que não existe mulher santa. Se ela está se fazendo de difícil ele parte para outra. A oferta é muito maior do que a procura. O mercado está cheio de mulher gostosa. O que homem não gosta é de mulher que liga no dia seguinte. Isso não é ser fácil, é ser problemática (mulher problema). Ou, como se diz na gíria, é pepino puro. O fato de você não ligar para o homem e ele gostar de você não quer dizer que foi por você se fazer de difícil, mas sim por você não representar ameaça para ele. Ele vai ficar com tanta simpatia por você que você pode até conseguir fisgá-lo e roubá-lo da mulher. Ele vai começar a se envolver sem perceber. Vai começar a te procurar. Se ele não te procurar, era porque ele só queria aquilo mesmo. Parta para outro e deixe esse de stand by. Não vá se vingar, você só piora a situação e não lucra nada com isso. Não se sinta usada, você também fez uso do corpo dele – faz parte do jogo; guarde como um momento bom de sua vida.
90% dos homens não querem nada sério. Os 10% restantes estão momentaneamente cansados da vida de balada ou estão ficando com má fama por não estarem casados ou enamorados; por isso procuram casamento. Portanto, são máximas as chances do homem mentir em quase tudo que te fala no primeiro encontro (ele só quer te comer, sempre). Não seja idiota, aproveite o momento, finja que acredita que ele está apaixonado, dê logo para ele (e corra o risco de fisgá-lo) ou então nem saia com ele. Fazer doce só agrava a situação. Estamos em 2007 e não em 1957. Esqueça os conselhos da sua avó, os tempos são outros.
Para ser uma boa esposa e para ter um casamento pelo resto da vida faça o seguinte: tente achar o homem perfeito, dê espaço para ele. Não o sufoque. Ele precisa de um tempo para sua satisfação. Seja uma boa esposa, mantenha-se bonita, malhe, tenha uma profissão (não seja dona-de-casa), seja independente e mantenha o clima legal em casa. Nada de sufocos, de 'conversar sobre a relação', de ficar mexendo no celular dele, de ficar apertando o cerco etc. Você pode até criar 'muros' para ele, mas crie muros invisíveis e não muito altos. Se ele perceber ou ficar sem saída, vai se sentir ameaçado e o casamento vai começar a ruir.
Se você está revoltada por este texto, aqui vai um conselho: vá tomar uma água e volte para ler com o espírito desarmado. Se revoltar com o que está escrito não vai resolver nada em sua vida. Acreditar que o que está aqui é mentira ou exagero pode ser uma boa técnica (iludir-se faz parte da vida, se você é dessas, boa sorte!). Mas tudo é a pura verdade. Seu marido/noivo/namorado te ama, tenha certeza, senão não estaria com você, mas trair é como um remédio; um lubrificante para o motor do carro. Isso é científico. O homem que você deve buscar para ser feliz é o homem perfeito. Diferente disso, ou é crente, ou gay ou tem algum trauma (e na maioria dos casos vão ser pobres). O que você procura pode ser impossível de achar, então, procure algo que você pode achar e seja feliz ao invés de passar a vida inteira procurando algo indefectível que você nunca vai encontrar. Espero ter ajudado em alguma coisa."
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Bom mulheres, talvez esta seja uma opinião machista, mas no fundo sabemos que tudo o que Jabor diz é verdade, principalmente quem já teve relacionamento sério. Portanto, deixemos de "nóias" e busquemos o "homem perfeito"!!!

sábado, 20 de junho de 2009

Ataulpho Alves X Vander Lee

Ataulpho Alves foi um grande sambista da década de 40. Sua obra está entre as mais extensas entre compositores brasileiros e foi considerado por muitos críticos musicais o melhor compositor de sambas de todos os tempos.
Dentre suas famosas canções, está "O bonde de São Januário", composta a pedido de Getúlio Vargas, na época do Estado Novo. A canção foi encomendada a Ataulpho com o intuito de conter a malandragem e incentivar o trabalho, pregando uma espécia de "ética proletária" (não sei se este termo é o mais apropriado, mas foi o melhor que encontrei...rs). Ataulpho uniu-se a Wilson Batista para compor o samba que, apesar de positivo, foi vetado pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão do governo que fiscalizava objetos veiculados na imprensa falada e escrita. A vedação se deu porque Wilson substituiu a palavra "operário" por "otário". Furioso, Vargas pediu para que Ataulpho modificasse o texto da canção, que ficou assim:


O BONDE DE SÃO JANUÁRIO
Wilson Batista - Ataulpho Alves

Quem trabalha
É quem tem razão
Eu digo
E não tenho medo
De errar
Quem trabalha...
O Bonde de São Januário

Leva mais um operário
Sou eu
Que vou trabalhar
O Bonde São Januário...
Antigamente

Eu não tinha juízo
Mas hoje
Eu penso melhor
No futuro
Graças a Deus
Sou feliz
Vivo muito bem
A boemia
Não dá camisa
A ninguém
Passe bem!

Vander Lee está entre os grandes compositores da MPB na atualidade. Já o citei em outras postagens, gosto muito dele. Iniciou sua carreira em meados dos anos 80, ainda tocando em barzinhos da região motropolitana de Belo Horizonte. Ganhou notoridade ao ter sua música "Onde Deus possa me ouvir" gravada por Gal Costa (apesar de que na voz dele é bem melhor...rs) e fez parceria com grandes nomes da música brasileira, como Zeca Baleiro, Elza Soares, Leila Pinheiro, dentre outros.
"No balanço do balaio" é uma das canções de seu primeiro cd, lançado, se não me engano, em 1997:


NO BALANÇO DO BALAIO

Vander Lee

No balanço do balaio
Saculejo, saculejo, saculejo
Aí me dá um sono

Eu pego meu balaio lá pra Zona Norte

Com mais uma hora estou chegando lá
É o meu único meio de transporte
Com sorte eu consigo até sentar
É gente que entra, é sinal, é sinal
É malandro na porta, que se segura
Que sai sem pagar, na cara-de-pau
Moleque na traseira que dependura

Balaio que arranca mas não vai

Diga lá, seu motô, quer que eu vá a pé?
Ê Balaio, que balança mas não cai
Não me empurra! Não pisa no meu pé!

Ah, seria tão bom…

Se eu morasse no São Bento, na Savassi, no Anchieta ou no Sion

O bacana das duas canções é que ambas versam sobre o mesmo assunto. Ataulpho Alves e Vander Lee descrevem o trajeto ao trabalho, mas com elementos que tornam possível perceber que foram compostas em épocas diferentes. "Bonde de São Januário", escrita em tempos de ditadura militar, tem um texto mais formal. "No balanço do balaio" é descontraída e, de certa forma, denuncia o precário sistema de transporte coletivo que o cidadão brasileiro utiliza pra ir trabalhar (eu que o diga...rs).